
Não sei se isso acontece com todos os raros mas, para mim, fazer aqueles exames tipo check-up , que a gente faz todos os anos depois de uma certa idade para ver como anda o coração, virou uma tortura. Ou seja, o que já é ruim para todo mundo, para a gente é pior ainda.
O Mapa 24 horas, que afere as variações de pressão, por exemplo: nas pessoas normais, é só um incômodo, porque o aparelho vai apitar e apertar o seu braço. Comigo, apertar o braço provoca uma dor absurda. E pense nisso acontecendo de 15 em 15 minutos por um dia e uma noite. Parece castigo.
O holter, que é uma espécie de eletrocardiograma com duração longa, exige que o paciente use pelo menos uma boa meia dúzia de eletrodos que são fixados ao corpo com... esparadrapo. Bem... eu sou alérgica a esparadrapo. Mesmo usando micropore, os vergões vermelhos desenharam um mapa nada agradável no meu tórax.
Mas o campeão da categoria “como enlouquecer um sediano” é, sem dúvida, um equipamento de tortura chamado esteira ergométrica. O tal teste de esforço é uma catástrofe! Quem tem lesão articular, disautonomia e dor crônica sabe do que eu estou falando: a gente é obrigado a subir no tal instrumento, com o peito coçando por causa do esparadrapo. A essa altura, meu joelho ruim e meu tornozelo de ligamentos rompidos já estavam prontos para a batalha contra mim. Nada contra a esteira, que eu até uso bastante na fisioterapia. Mas, nesta, eu controlo velocidade, inclinação e tempo.
Em poucos minutos, comecei a ofegar como se estivesse participando de uma corrida de obstáculos. Pontinhos luminosos apareceram diante dos meus olhos e eu tive a sensação de que cairia no segundo seguinte. A velocidade me obrigava a um intenso esforço para me manter de pé. Ainda assim, a esteira é mais rápida que eu. Fui chegando para trás até um ponto em que meus braços quase não conseguiam mais segurar a barra.
Para minha extrema sorte, a médica que fez o exame conhece e até atende pacientes com SED. Quando eu disse que não aguentava mais, ela acreditou e interrompeu a sessão de tortura. Para descer, precisei de ajuda, porque minhas pernas se recusavam a me obedecer.
Perdi o equilíbrio várias vezes, esbarrei na parede, fiquei tonta. A fadiga estava tão elevada que eu não conseguia falar. A boca, mais seca que agosto em Brasília. E a dor... ah, a dor.
Tudo doía. E, trinta horas depois, continua doendo. Não tem analgésico nem canabidiol que resolvam isso. Segue a tortura. Porque vida de sediano não é fácil.
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